sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

EXUS DE OXALÁ

Alguns Exus de Oxalá:

Exu Abre Tudo, Exu Arrebata Tudo, Exu Corta Tudo, Exu Desmancha Tudo, Exu Encruza Tudo, Exu Gira-Mundo, Exu Guarda Tudo, Exu Lúcifer, Exu Maioral, Exu Rei das Almas, Exu Rei das Sete Encruzilhadas, Exu Rei das Trevas, Exu   Sete Cabeças, Exu Sete Encruzilhadas, Exu Sete Estrelas, Exu Sete Coroas, Exu Sete Infernos, Exu Sete Sombras, Exu Tranca Tudo, Exu Vira Mundo.

CABOCLOS DE OXALÁ

Alguns Caboclos de Oxalá:

Pena Branca, Flecha Branca, Montanha Branca, Folha Branca, Lua Branca, Caboclo das Sete Encruzilhadas, Caboclo Tupã, Caboclo Tupi, Caboclo Tupinambá, Caboclo Sol, Caboclo Girassol, Caboclo Gira-Mundo, Caboclo Vira Mundo, Caboclo Urubatão da Guia, Caboclo Ubirajara da Guia, Caboclo Sete Flechas da Guia, Caboclo Sete Estrelas, Caboclo Sete Penas Brancas.

COZINHA RITUALÍSTICA DE OXALÁ

1- CANJICA - Canjica branca cozida coberta com algodão, folhas de saião ou claras em neve, com um cacho de uva branca por cima de tudo. Regar com mel.

2- ACAÇÁ - Cozinhar 1/2 kg de farinha de milho branca, como um angu ou mingau. Deixe esfriar um pouco e faça bolinhos. Em algumas Casas se põe, às colheradas, em folhas de bananeira passadas ao fogo e enrola-se. Serve-se depois de frio.

3- MUNGUNZÁ - mugunzá, ou mucunzá (da língua Quimbundo: “mu'kunza” = milho cozido)- Alimento ritual feito de grãos de milho branco cozidos em água com açúcar, algumas vezes com leite de coco e de gado, com pequena quantidade de água de flor de laranjeira. É servido aos adeptos com bastante caldo e ao Orixá bem compactado, em forma de ebô.

OFERENDAS PARA OXALÁ

1-Toalha ou pano de cor branca; velas bran­cas; frutas brancas (melão, goiaba, etc.); vinho bran­­co doce ou suave; flo­res brancas (todas); fitas bran­cas; linhas brancas; comidas bran­­­­cas (can­jica, arroz doce, coalhada adoci­ca­da, etc.); pães; mel; farinha de trigo (para cir­cular e fechar por fora as oferen­das); co­co seco e sua água colocada em co­pos; co­co verde com uma tampa cortada e um pou­co de mel derramado dentro da sua água; água em cálices ou copos; pedras de cris­tais de quartzo branco (se for solici­tado); pembas brancas (em pedra ou em pó); milho verde em espiga, cru e ainda leitoso.
FONTE: “Rituais Umbandistas - Oferendas, Firmezas e Assentamentos”, Rubens Saraceni, Editora Madras.

2- Faça um círculo com sete velas brancas e coloque ao centro frutas diversas, coco verde aberto, mel e flores, tudo bem arrumado, e faça seus pedidos em oração e cantos a este amado Orixá.
FONTE: “Código de Umbanda”, Rubens Saraceni, Madras Editora.

3- Um coco verde fechado e um coco verde aberto (separar as águas); mel; uvas brancas, pêssegos, goiaba branca, maracujá, carambola, vinho branco; rosas brancas, palmas brancas, crisântemos brancos; sete velas brancas. Forrar o chão com as pétalas das rosas brancas e sobre elas dispor as frutas. Circundar com as palmas e crisântemos, as  bebidas (água dos dois cocos e vinho) e o mel. Em torno, firmar as velas, saudando o Divino Pai Oxalá e fazendo o pedido específico.

Onde oferendar Oxalá:
Nos campos abertos, bosques, praias limpas e jardins floridos.

Quando oferendar Oxalá:
- Para ter fé, esperança, paz, serenidade
- Para acalmar alguma situação ou alguém
- Para despertar a fé de alguém

Firmeza para Oxalá:
Um pilão e uma quartinha branca com água.

Amaci:
1-Água mineral com boldo e flor de laranjeira macerados e curtidos por 24 horas.
2- Água da fonte com pétalas de rosas brancas e manjerona, maceradas e depois curtidas por 24 horas.

CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OXALÁ

Os filhos de Oxalá são pessoas respeitadas, tranquilas, calmas até nos momentos mais difíceis, amáveis e pensativos; podendo, às vezes, ser autoritários.
São muito dedicados e caprichosos, mantêm tudo sempre bonito, limpo. Respeitam a todos, mas exigem ser respeitados. Sabem argumentar bem, tendo uma queda para trabalhos que impliquem em organização. Gostam de centralizar tudo em torno de si mesmos. São reservados, mas raramente orgulhosos.
Seu defeito mais comum é a teimosia, principalmente quando têm certeza de suas convicções; será difícil convencê-los de que estão errados ou que existem outros caminhos para a resolução de um problema. No Oxalá mais velho (Oxalufã) a tendência se traduz em ranzinze e intolerância; enquanto no Oxalá novo (Oxaguiã) essa tendência gera certo furor pelo debate e pela argumentação.
Costuma-se dizer também que os filhos de Oxalufã (o Oxalá Velho) seriam mais calmos, bondosos e tolerantes, mas com boa capacidade de liderança, dado ao seu forte magnetismo (carisma). Já os filhos de Oxaguiã (o Oxalá Moço) seriam altos e robustos, elegantes, de porte majestoso e olhar ao mesmo tempo altivo e travesso, e amigos das mulheres. Embora guerreiros, não são agressivos. Alegres, gostam profundamente da vida. Revelam-se, às vezes, irônicos, maliciosos, prolixos e brincalhões.
Para os filhos de Oxalá, a idéia e o verbo são sempre mais importantes que a ação; não sendo raro encontrá-los em carreiras onde a linguagem (escrita ou falada) seja o ponto fundamental.
Fisicamente, os filhos de Oxalá tendem a apresentar um porte majestoso, principalmente na maneira de andar. Na constituição física, o filho de Oxalá não é alto e magro como os filhos de Ogum, nem tão compacto e forte como os filhos de Xangô. Às vezes, porém, essa maneira de caminhar e de se postar dá lugar a alguém com tendência a ficar curvado, como se o peso de toda uma longa vida caísse sobre seus ombros, mesmo em se tratando de alguém muito jovem.
Para que o filho de Oxalá tenha uma vida melhor, deve procurar despertar em seu interior a alegria pelas coisas que o cercam e tentar ceder à sua natural teimosia.
No geral, os filhos de Oxalá são idealistas e defensores dos injustiçados. São muito intuitivos quanto ao futuro. Seu pensamento original antecipa-se ao de sua época. Têm espírito brilhante e facilidade de argumentação. São generosos e até pródigos.

DIVINDADES ASSEMELHADAS A OXALÁ

Apolo ou Febo- Divindade grega, filho de Zeus com Leto. É o deus da Luz Solar, da música, das artes e da medicina. Senhor do Oráculo de Delfos. Divindade radiante, sempre moço e belo. Traz pureza, tranquilidade e espiritualidade.

Hélios- Divindade grega. Era o próprio Sol, representado como um jovem com raios de luz saindo da cabeça. É considerado também aquele que traz a Luz, a iluminação.

Brahma- É a primeira pessoa da Trindade Hindu (Brahma, Vishnu e Shiva). É o primeiro criado; o criador, incriado, do Universo. Costuma se manifestar com quatro cabeças, simbolizando os quatro Vedas (livros sagrados para os hindus) e as quatro yugas (eras, ciclos de tempo e realidade pelas quais passa a humanidade). Tendo quatro braços, segura em cada uma das mãos: um colar de oração hindu (símbolo da tranquilidade da mente), uma colher e ervas (símbolo dos rituais), o Kamandalu (pote com água, símbolo da renúncia) e os Vedas (símbolo do conhecimento).

Suria- Divindade hindu. O deus Sol. É a alma suprema dos Vedas e deve ser adorado por todos os que desejam libertar-se da ignorância.

Varuna- Divindade hindu. Seu nome provém da raiz verbal “vr”, que significa cobrir, circundar. Circunda o Universo e tem como atributo a soberania. Através do Sol, ele controla tudo e, desta maneira, fez três mundos, habitando em todos eles: céu, terra e o espaço intermediário de ar onde o vento é o sopro de Varuna. Sua morada é o Zênite, mansão de mil portas, onde fica sentado e tudo observa; à sua volta ficam seus informantes que inspecionam o mundo e não se deixam enganar. Seu poder e conhecimento são ilimitados; inspeciona o mundo, sendo o Senhor das leis morais. Já foi um Deus Único e Celeste, perante a criação; com o tempo tornou-se Divindade das águas, rios e oceanos.

Rá- Divindade egípcia. É o princípio da Luz, simbolizado pelo Sol; é mais do que o próprio Sol. É ele quem penetra no disco solar e lhe confere a luz. Adorado como uma das maiores Divindades egípcias, é muitas vezes associado ao nome do Ser Supremo, para lhe conferir este “status”, como Atun-Rá ou Amon-Rá.

Khnum- Deus local do alto Egito, simbolizado com cabeça de carneiro. Tinha aspectos de criador, sendo possuidor de um torno de oleiro, onde modelara o corpo de todos os homens.

Baldur ou Balder- Divindade nórdica masculina cujo nome significa “distribuidor de todo o bem”. Filho de Odim com a Deusa-Mãe Frigg. Conhecido como: deus Sol, o todo radiante, de beleza incomparável; a deidade boa, pura e carismática; deus pacífico; “o bem amado”, “o santo”, “o único sem pecado”; “deus da bondade”.

Brán- Divindade celta. Conhecido como “o abençoado”, é o deus da profecia, das artes, dos líderes, da guerra, do sole da música. É muito cultuado no País de Gales.

Dagda- Divindade celta que aparece como grande pai de todos, chamado de “o bom deus”. Seu poder aparece como um sopro que torna os agraciados em trovadores.

Anu- Divindade sumeriana. É o pai das Divindades, é o próprio céu, Divindade do firmamento estrelado, o que reina na esfera superior. Adorado por sumérios, acádios e assírio-babilônicos como a Divindade maior, por vezes visto como o Deus Supremo. Senhor dos anjos e dos demônios, de todas as potências inferiores e superiores.

Nusku- Divindade sumeriana. Deus da luz, adorado ao lado do deus da Lua, em Harran e Neirab. Vizir de Anu e de Ellil. Tem como símbolo uma lâmpada.

Utu- Divindade sumeriana, o deus Sol. Traz o título de “meu sol” (“majestade”), como eram chamados os reis e deuses chefes de panteão.

Shemesh- Divindade hebraica. Aparece com raios flamejantes saindo de seus ombros, saltando sobre montanhas com uma espada flamejante de serra nas mãos e uma tiara de fogo na cabeça. Também simboliza o Sol. É a mesma Divindade arábica Shams.

Inti- Divindade inca do Sol, também chamado de “Servo de Viracocha”. Protetor da casa real, onde o imperador era chamado de “filho de Inti”. É o grande doador da vida e da luz. Divindade popular mais importante, tendo seu culto estabelecido em vários templos.

Kinich Ahau- Divindade maia do sol, muito ligado ao Deus Criador Itzamná.

FONTE: “Deus, “Deuses” e Divindades”, Alexandre Cumino, Madras Editora, 2004, páginas 81/84.

LENDAS DE OXALÁ

1- Oxalá cria a Terra:

No começo, o mundo era todo pantanoso e cheio d’água, um lugar inóspito e sem nenhuma serventia.
Acima dele havia o Céu, onde viviam Olorum e todos os Orixás, que às vezes desciam para brincar nos pântanos insalubres. Desciam por teias de aranha penduradas no vazio.
Ainda não havia terra firme, nem o homem existia.
Um dia Olorum chamou à sua presença Orixanlá (Oxalá), o Grande Orixá. Disse-lhe que queria criar terra firme lá embaixo e pediu-lhe que realizasse tal tarefa. Para a missão, deu-lhe uma concha marinha com terra, uma pomba e uma galinha com pés de cinco dedos.
Oxalá desceu ao pântano e depositou a terra da concha. Sobre a terra pôs a pomba e a galinha, e ambas começaram a ciscar. Foram assim espalhando a terra que viera na concha, até que a terra firme se formou por toda parte.
Oxalá voltou a Olorum e relatou-lhe o sucedido.
Olorum enviou um camaleão para inspecionar a obra de Oxalá e ele não pôde andar sobre o solo que ainda não era firme. O camaleão voltou dizendo que a Terra era ampla, mas ainda não suficientemente seca. Numa segunda viagem o camaleão trouxe a notícia de que a Terra era ampla e suficientemente sólida, podendo-se agora viver em sua superfície. O lugar mais tarde foi chamado Ifé, que quer dizer ampla morada.
Depois Olorum mandou Oxalá de volta à Terra, para plantar árvores e dar alimentos e riquezas ao homem.
E veio a chuva para regar as árvores.
Foi assim que tudo começou.
Foi ali, em Ifé, durante uma semana de quatro dias, que Oxalá criou o mundo e tudo o que existe nele.

2- Obatalá cria o homem:

Num tempo em que o mundo era apenas a imaginação de Olodumare, só existia o infinito firmamento e abaixo dele a imensidão do mar.
Olorum, o Senhor do Céu, e Olocum, a Dona dos Oceanos, tinham a mesma idade e compartilhavam os segredos do que já existia e ainda existiria.
Olorum e Olocum tiveram dois filhos: Orixalá, o primogênito, também chamado Obatalá, e Odudua, o mais novo.
Olorum-Olodumare encarregou Obatalá, o Senhor do Pano Branco, de criar o mundo, dando-lhe poderes para isso.
Obatalá foi consultar Orunmilá, que lhe recomendou fazer oferendas para ter sucesso na missão. Mas Obatalá não levou a sério as prescrições de Orunmilá, pois acreditava somente em seus próprios poderes.
Odudua observava tudo atentamente e naquele dia também consultou Orunmilá, o qual assegurou que se ele fizesse as oferendas prescritas, seria o chefe do mundo que estava para ser criado. A oferenda consistia em quatrocentas mil correntes, uma galinha com pés de cinco dedos, um pombo, um camaleão e quatrocentos mil búzios. Odudua fez as oferendas.
Chegado o dia da criação do mundo, Obatalá se pôs a caminho até a fronteira do além, onde Exu é o guardião. Obatalá não fez as oferendas nesse lugar, como estava prescrito. Magoado com a insolência, Exu usou seus poderes contra Oxalá, provocando-lhe muita sede. Para aplacar a sede, Oxalá tocou com seu bastão no tronco de uma palmeira e dela jorrou vinho em abundância. Ele bebeu vinho até embriagar-se e adormecer na estrada, à sombra da palmeira de dendê, abandonando o saco da criação que recebera de Olorum.
Odudua, que tudo acompanhava, apanhou o saco da criação, foi até Olorum e lhe contou o ocorrido. Então, Olorum-Olodumare confiou-lhe a criação do mundo.
Com as quatrocentas mil correntes Odudua fez uma só e por ela desceu até a superfície do mar. Sobre as águas sem fim, abriu o saco da criação e deixou cair um montículo de terra. Soltou a galinha de cinco dedos e ela voou sobre a terra, pondo-se a ciscá-la, espalhando a terra na superfície da água. Odudua exclamou: “Ilè nfé!”, que significa: “A Terra se expande!”, frase que depois deu nome à cidade de Ifé, a qual está exatamente no lugar onde Odudua fez o mundo.
Em seguida, Odudua apanhou o camaleão e o fez caminhar naquela superfície, demonstrando a firmeza do lugar.
Obatalá continuava adormecido. E Odudua partiu para a Terra para ser seu dono.
Então Obatalá despertou, tomou conhecimento do ocorrido e foi contar tudo a Olodumare, que lhe disse: “O mundo já está criado. Perdeste uma grande oportunidade”.
Como castigo, Olodumare proibiu Obatalá e seus descendentes de beberem vinho de palma para sempre.
Mas a missão não estava ainda completa e Olodumare deu outra dádiva a Obatalá: a criação de todos os seres vivos que habitariam a Terra.
E assim Obatalá criou todos os seres vivos e criou o homem e a mulher.
Obatalá modelou em barro todos os seres humanos; e o sopro de Olodumare os animou.
O mundo agora se completara. E todos louvaram Obatalá.

3- Obatalá cria Icu, a Morte:

Quando o mundo foi criado, coube a Obatalá a criação do homem.
O homem foi criado e povoou a Terra.
Cada natureza da Terra, cada mistério e segredo, tudo foi governado pelos Orixás.
Com atenção e oferendas aos Orixás, tudo o homem conquistava.
Mas os seres humanos começaram a se imaginar com os poderes que eram próprios dos Orixás. Deixaram de fazer oferendas. Imortais que eram, pensavam em si mesmos como deuses. Não precisavam de outros deuses.
Cansado dos desmandos humanos, Obatalá decidiu viver com os Orixás no espaço sagrado que fica entre o Aiê (a Terra) e o Orum (o Céu).
E Obatalá decidiu que os homens deveriam morrer; cada um num certo tempo, numa certa hora.
Então Obatalá criou Icu, a Morte, encarregando-a de fazer morrer todos os humanos, porém impondo-lhe uma condição: só Olodumare podia decidir a hora de morrer de cada homem. A Morte leva, mas a Morte não decide a hora de morrer. O Mistério Maior pertence exclusivamente a Olorum.

4-Oxalá molda o ser humano com o barro:

Dizem que quando Olorum encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, o Orixá tentou vários caminhos: tentou fazer o homem de ar, como Ele. Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu; tentou fazer de madeira, mas a criatura ficou dura; de pedra a tentativa ainda foi pior; fez de fogo e o homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada.
Foi então que Nanã Burucu veio em seu socorro: apontou para o fundo do lago com o seu ibiri, seu cetro e arma, e de lá retirando uma porção de lama. Nanã deu a Oxalá a porção de lama, o barro do fundo da lagoa onde Ela morava.
Oxalá criou então homem e o modelou no barro.
Com o sopro de Olorum, o homem caminhou e com a ajuda dos Orixás povoou a Terra.

FONTE DAS LENDAS: “Mitologia dos Orixás”, Reginaldo Prandi, 2005, Editora Companhia das Letras, páginas 502/507.

5-Oxalá desvenda os mistérios da vida e da morte:

Esta lenda é contada no Candomblé:

Oxalá era marido de Nanã, a Senhora do Portal da Vida e da Morte, da fronteira da nossa dimensão para outras.
Por determinação de Nanã, somente os seres femininos tinham o acesso àquele Portal. Esta determinação servia para todos, inclusive para o próprio Oxalá. Durante muito tempo assim foi.
Porém, Oxalá não se conformava em não poder conhecer o Portal, não só porque era marido de Nanã, como por sua própria importância no panteão dos Orixás.
Pensou e pensou, até que encontrou a melhor forma de burlar as determinações da esposa. Não fugindo de sua cor branca, vestiu-se de mulher, colocou o Adê (coroa) com os “chorões” no rosto (próprio das Iabás), e se aproximou do Portal, satisfazendo, enfim, sua curiosidade.
Mas foi surpreendido por Nanã, que se aproximou e determinou: “―Já que te vestiste de mulher para desvendar um segredo importante, vou compartilhá-lo contigo. Terás a incumbência de ser o principio do fim, aquele que tocará o cajado três vezes no solo para determinar o fim de um ser. Porém, jamais conseguirás te desfazer das vestes femininas e daqui para frente terá todas as oferendas fêmeas!”
E Oxalá, conhecido por Oxalufan, passou a receber oferendas não mais como os demais Orixás masculinos, e sim de cabras e galinhas, como as Iabás. E jamais se desfez das vestes de mulher. Em compensação, transformou-se no Senhor do princípio da morte e conheceu todo o seu segredo.
Oxalá, portanto, é o fim. Não o fim trágico, mas pacífico, de tudo o que existe no mundo. E por isso merece todo o carinho que lhe damos. Por isso, é o nosso salvador, nosso conselheiro, aquele que vem nos momentos de angústia para trazer algo de que o mundo precisa demasiadamente: a Paz.

FONTE E CRÉDITOS: http://seteporteiras.org.br/

FESTA DO SENHOR DO BONFIM

A Festa do Senhor do Bonfim:
É uma celebração religiosa que tem lugar em Salvador, Bahia, na Igreja do Senhor do Bonfim, com uma novena solene e a exposição do Santíssimo Sacramento pelo Capelão da Igreja. Acontece sempre em janeiro, no segundo domingo depois do “Dia de Reis”.
Antes, na quinta-feira, realiza-se a tradicional “Lavagem do Bonfim”, com grande participação popular, carroças enfeitadas puxadas por animais e as tradicionais baianas com seus vasos com água perfumada (água de cheiro).

A Lavagem da Igreja do Bonfim:
A “Lavagem do Bonfim” é mais popular que a própria Festa do Bonfim. Muitas vezes é erronemente denominada Festa do Bonfim, embora sejam celebrações distintas.
A tradição começou com Teodósio Rodrigues de Farias, oficial da Marinha Portuguesa, trazendo de Lisboa uma imagem de Jesus Cristo, que em 1745 foi levada para a Igreja da Penha, em Itapagipe, com grande acompanhamento.
Nove anos depois, em julho de 1754, a imagem foi transferida em procissão para a sua própria igreja, na Colina Sagrada. O lugar era assim chamado porque se atribuíam milagres ao Senhor do Bonfim; fato que passou a atrair peregrinos não só Católicos mas também de outras Religiões, estabelecendo-se, então, um culto sincrético.
A “Lavagem do Bonfim”  tem a participação de fiéis Católicos, Umbandistas e Candomblecistas, já que na Bahia há um sincretismo religioso entre o Senhor do Bonfim e o Orixá Oxalá.
Na quinta-feira pela manhã, o tradicional cortejo de baianas sai da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia e segue a pé, num trajeto de oito quilômetros, até chegar ao Alto do Bonfim.
O ponto alto da Festa ocorre quando, vestidas a caráter, cerca de duzentas baianas lavam as escadarias e o átrio da Igreja do Senhor do Bonfim, com vassouras e água de cheiro. Elas carregam a água perfumada em suas quartinhas e vão despejando-a nas escadarias e no átrio da Igreja, ao som de palmas, atabaques e cantos.
Anualmente, reúnem-se milhares de fiéis em busca da proteção das águas perfumadas, para limpeza do corpo e da alma. Esta celebração é muito importante para o povo baiano, pois mostra a sua devoção ao Senhor do Bonfim.

FONTE E CRÉDITOS: http://seteporteiras.org.br/

FESTAS PARA OXALÁ

As “Águas de Oxalá”- No Candomblé, como em outras religiões de origem africana, acredita-se que cada pessoa tem um Orixá específico que fornece padrões de comportamento e conduta aos seus filhos.

Ao aproximar-se de Oyó, Oxalá avistou o cavalo branco que havia dado de presente a Xangô. Como estava todo sujo, os soldados de Xangô o julgaram ladrão do animal; e Oxalá foi levado à prisão do palácio e lá esquecido por sete anos.
Durante este período, o reino de Xangô entrou em decadência, sofrendo a pior seca, que comprometeu toda a colheita. Epidemias, doenças e mortes se sucederam com freqüência, fazendo com que o povo se revoltasse contra Xangô.
Sem saber o que fazer, Xangô procura um Babalaô da região, que faz o jogo e lhe diz: “Um homem que usa roupa branca foi preso injustamente. O que está acontecendo é uma revolta natural pela injustiça cometida”.
Xangô vai então às prisões para averiguar e descobre, entre os presos, o próprio pai. Entristecido, ele pune os soldados pela injustiça cometida contra Oxalá e lhe rende homenagens: carrega Oxalá nas próprias costas até ao palácio, cuida de banhá-lo e vesti-lo com as roupas mais brancas que existem e depois realiza uma grande festa em sua homenagem. Desfeita a injustiça, tudo voltou à normalidade: a chuva chegou, as culturas de alimentos prosperaram e as enfermidades cessaram.
A cerimônia das “Águas de Oxalá” rememora este episódio mítico com uma procissão que representa a viagem de Oxalá. Trata-se de um cerimonial complexo que se estende por dezessete dias e que constitui um marco nas práticas e rituais do ano litúrgico do Candomblé. Durante esse período, os fiéis adotam um comportamento reservado, cauteloso e de muita concentração.
O calendário das cerimônias afro-brasileiras costuma iniciar-se em 13 de janeiro com a “Festa das Águas de Oxalá”, celebração que visa pedir purificação e paz para as divindades. A partir da última quinta-feira de setembro alguns Terreiros passam a reviver a “odisséia” de Oxalá.

Fonte: “A Festa das Águas de Oxalá: a Religiosidade e o Patrimônio Afrobrasileiro”,
Texto das Historiadoras-Doutoras Amanda Palomo Alves e Sandra Pelegrini.

Ainda sobre esta Festa, o Monge Beneditino MARCELO BARROS, do Mosteiro de Goiás, escreveu um artigo interessante. Diz ele, em síntese: “Como todo mito, este também é simbólico e aberto. Não é respeitoso reduzir a pura lenda um fato acreditado em uma religião. Todo mito é mais do que lenda. Independentemente da sua veracidade histórica, esta visita de Oxalá a Xangô significa que a justiça divina (Xangô) liberta a bondade providencial do Criador (Oxalá), que vem sobre o mundo como águas benfazejas”.
O autor ainda alerta para o fato de que este mito nos faz pensar, além do aspecto religioso original, na carência de água potável que o mundo agora enfrenta. Uma reflexão pode nos revelar um significado mais abrangente e atual embutido nesta celebração: o valor sagrado das águas, elemento indispensável para a sobrevivência humana e planetária.

FONTE: “As Águas de Oxalá”, Marcelo Barros

HISTÓRIA DE OXALÁ

Oxalá na África e no Candomblé do Brasil

Orixalá (“O Orixá dos Orixás”) acabou se popularizando como Oxalá e é considerado o Orixá mais importante do panteão africano. Não possui mais poderes que os outros nem é hierarquicamente superior, mas é respeitado por todos, pois representa o patriarca, o chefe da família.
Oxalá é o detentor do poder procriador masculino.
É alheio a todo o tipo de violência, de disputas e brigas. Gosta de ordem, da limpeza e da pureza.
Todas as suas representações incluem o branco, que é a sua cor.
Pertencem a Oxalá os metais e outras substâncias brancas.
Seu dia é a sexta-feira. E os seus filhos devem vestir-se de branco neste dia.
Oxalá representa o elemento fundamental dos primórdios: massa de ar e massa de água, a pró-forma e a formação de todo tipo de criaturas no Aiyê (a Terra) e no Orun (o Céu).
Ao incorporar-se, assume duas formas: Oxaguiã, jovem guerreiro, e Oxalufã, o velho apoiado num bastão de prata (apoxorô ou ôpá xôrô).
Na África, todos os Orixás relacionados com a Criação são designados pelo nome genérico de Orixá Funfun. O mais importante deles chama-se Orixalá (ou seja, o Grande Orixá), que
nas terras de Igbó e Ifé é cultuado como Obatalá, “o Rei do Pano Branco”.
O nome Orixalá foi contraído e deu origem à palavra Oxalá, e foi com este nome que a grande Divindade-Pai passou a ser conhecida.
A designação de “Funfun” deve-se ao fato de a cor branca se configurar como a cor da Criação, guardando a essência de todas as demais. O branco representa todas as possibilidades, a base de qualquer criação.
Eram 154, aproximadamente, os Orixás Funfuns. Mas no Brasil e em Portugal esse número se reduziu significativamente, pois todos os Orixás Funfuns foram reunidos em Oxalá e divididos em várias qualidades das suas duas configurações principais: Oxalufã e Oxaguiã. Oxalufã, o Oxalá mais velho e paciente, é o pai de Oxaguiã que, por sua vez, é o Oxalá jovem e guerreiro.
No Xirê (festa em homenagem aos Orixás), Oxalá é homenageado por último porque é o grande símbolo da síntese de todas as origens. Ele representa a totalidade. Ele é o único Orixá que, como Exu, reside em todos os seres humanos. Todos são seus filhos, todos são irmãos.
No Candomblé, apresenta-se também de duas maneiras: o Moço, Oxaguiam; e o Velho, Oxalufam. O símbolo do primeiro é uma idá (espada); e o do segundo é uma espécie      de
cajado em metal, chamado ôpá xôrô (opaxorô, na forma aportuguesada).
Em suas diversas mutações, temos: ►na Nação Ketu: Oxanguian, Oxalufá, Obatalá e Oduduwá; ►na Nação Angola: Lemba, Lembarangaga e Guaratinhanha. Em todas elas é o Senhor da Vida, também chamado "Senhor da boa argila", devido a uma antiga lenda na qual Oxalá usava este material para criar os seres humanos.
Na África, é Òrìsànlá ou Obàtálá (Obá N´ti alá), "O Grande Orixá”, "O Rei do Pano Branco”.
Na mitologia Yorubá, é o criador do mundo, dos homens, animais e plantas. Foi o primeiro Orixá criado por Olodumare e é considerado o maior, o mais velho dos Orixás, o Rei de vestes brancas, raiz de todos os outros Orixás. É o pai de Oxalufam (que, por sua vez, é o pai de Oxaguiam).
Na África e no Candomblé do Brasil, Oxalá representa a massa de ar, as águas frias e imóveis do começo do mundo; controla a formação de novos seres; é o Senhor dos vivos e dos mortos, preside o nascimento, a iniciação e a morte. É o responsável pelos defeitos físicos, e é corcunda porque recusou-se a fazer uma oferenda de sal numa cabaça e Exu castigou-o, pregando-lhe a cabaça nas costas, razão pela qual não come sal: comer sal para ele constitui um ato de alto canibalismo. Ele deu a palavra ao homem e durante suas festas não se fala, durante três semanas tudo é silêncio, pois a palavra é dele.
Sua maior festa é uma cerimônia chamada "Águas de Oxalá", que diz respeito à lenda dos sete anos do seu encarceramento no reino de Oyó, culminando com a cerimônia do "Pilão de Oxaguian", para festejar a volta do pai. Esse respeito advém da sua condição, delegada por Olorun, da criação e governo da humanidade.
Sua saudação mais frequente é: Êpa Babá!
Seus domínios são o poder procriador masculino, a Criação, a vida e a morte (como fim pacífico de todos os seres).
Seu cajado, o opaxorô, tradicionalmente era feito dos galhos de atori (planta cujo nome científico é “Glyphaea lateriflora abraham”). Este cajado simboliza a criação do mundo e  do ser humano, bem como a sabedoria dos anciãos; servindo de apoio para locomoção do Orixá que é o mais velho de todos e considerado “o pai da criação”.
FONTE E CRÉDITO: http://seteporteiras.org.br/